terça-feira, 9 de junho de 2015
Belém vai ser enredo de escola de samba de SP
O açaí e Belém vão para o sambódromo do Anhembi, em São Paulo. No Carnaval de 2016, o fruto característico da região e a capital paraense serão homenageados no samba enredo da escola Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba X-9 Paulistana, a X-9 Paulistana.
O enredo apresentará desde a importância do açaí para região, as lendas e mitos que o envolvem, como Iaçá, que teve o filho morto por ordem do chefe da tribo, o Cacique Itaki.
Segundo o texto de apresentação da escola feito pelo carnavalesco André Machado, “Iaçá chorou muito e amargurada passou a viver reclusa, onde dias e noites rezava para que Tupã lhe enviasse um acalanto para diminuir sua dor. Numa noite de Lua cheia, a bela índia ouviu um choro de criança e viu a imagem de sua cria vinda de uma palmeira desconhecida. Iaçá correu até ela e a abraçou fortemente e dessa forma, dias depois, foi encontrada morta. Seu rosto estampava um lindo sorriso e seus olhos miravam o topo da tal palmeira, que se encontrava abarrotada de um fruto arroxeado que se projetava do caule como lágrimas”.
Ainda de acordo com o carnavalesco, o “cacique Itaki compadeceu-se da cena e ao lado da filha ficou se lamentando, até perceber que algumas aves e jabutis se alimentavam daquele fruto, e pensou: “o que era bom para os bichos, nada de mal poderia trazer para a tribo!”. E assim, permitiu que todos os índios comessem o novo alimento. Para homenagear Iaçá, deu ao fruto o seu nome invertido e o Açaí, a partir de então, se tornou sagrado para o povo da mata, pois conseguiu acabar com a fome e o extermínio dos curumins ao revogar a lei antiga que vitimava as crianças de sua tribo”.
De acordo com o planejamento inicial da escola, a história será contada em cinco atos: 1º) A Lenda do Açaí, a Cultura Tupinambá e o Portal da Amazônia; 2º) O Processo de Colonização, o Fortim do Presépio e a Cabanagem; 3º) Os Ribeirinhos e o Mercado do Ver-O-Peso; 4º) Morada de Caboclo, o Açaizeiro torna-se Sagrado e importante para Cultura Belenense e 5º)Belém do Pará em Festa comemora as suas Raízes – o Açaí num Círio de Felicidade!
A entrega oficial da sinopse do enredo será feita dia 15/06 às 20h30, na quadra da escola.
FONTE: DOL
segunda-feira, 8 de junho de 2015
Funk é tamborzão e não "incorporar a Beyoncé", critica Tati Quebra Barraco
Carol preza mais pela atitude, Sabrina é mais ligada ao hip-hop, Karol K e Mary se preocupam mais com a imagem e Filé adora letras polêmicas. Cinco funkeiras de perfis totalmente diferentes convivem no reality show "Lucky Ladies", exibido todas às segundas, às 22h30, na Fox. Tal pluralidade reflete o momento atual do funk e é defendido pela "líder" do reality, Tati Quebra Barraco, mas ela faz um alerta. "É sempre bom levantar a bandeira do funk e evoluir, mas sem viajar demais porque aí você perde a identidade".
A funkeira veterana, que começou a fazer sucesso nos anos 90 e ficou conhecida pelos hits "Boladona", "Dako é bom" e muitos outros, acha que o funk é de todas as classes sociais e de todas as cidades do Brasil, não só do morro carioca. Karol K, por exemplo, é mineira, tem um background pop e foi uma das escolhidas entre cinco mil funkeiras. "O Rio de Janeiro é o berço do funk, mas não quer dizer que outros não possam cantar. Tem espaço para todo mundo".
O produtor e músico Rafael Ramos, que já produziu de Mamonas Assassinas a Titãs e que também trabalha como tutor das meninas no programa, concorda que o funk pode vir de todo lugar. "O que impede uma menina do condomínio de cantar funk? Nada impede. Ela vai gravar no computador dela. Se acertar uma letra, uma base, uma ideia, todo mundo vai ouvir. E qual é o problema da menina da favela cantar gospel? Chega de qualquer tipo de preconceito musical e social. Não tá com nada".
Tati, no entanto, que não nega o apelido e tem opinião forte, fica preocupada com o que muitos chamam de funk. "Algumas pessoas querem fazer umas coisas que não tem nada a ver, que está mais pra Sandy e Junior. Tem uns incorporando a Beyoncé no palco. Coloca uns 10, 20 ventiladores, deixa o cabelo ao vento. Isso é funk ou é pop? Funk ainda é tamborzão", disse ela.
O programa ainda destaca o papel de Tati como precursora do ritmo e seu trabalho em abrir portas para as mulheres que também queriam ser reconhecidas, falando sobre sexo, romance ou festa. "Tati tem um papel fundamental no programa. Ela botou a cara desde cedo. Canta com muita coragem músicas desafiadoras e levou isso pro mundo inteiro", diz Rafael. A própria Tati reconhece sua importância como pioneira do ritmo. "A gente fez uma caminhada para os que estão chegando hoje não enfrentarem tanta pauleira".
A popularidade do funk também abriu portas para MCs mirins, inclusive para alguns deles cantarem letras com conteúdo erótico. "Acho que nego tem que estudar, mas se tiver a necessidade de trabalhar, melhor cantar do que assaltar e tirar a vida dos outros", disse ela.
FONTE: UOL
sexta-feira, 5 de junho de 2015
Quer aprender a dançar? É de graça!
As festividades do mês de junho chegaram. E aos interessados nas danças típicas, acontecerá no Centro Cultural Sesc Boulevard, o curso de Dança Folclórica Básica com Cléber Sandim nos dias 8, 15, 22 e 29 de 16h às 20h.
As inscrições para o público geral acontece nesta sexta e sábado (05 e 06). O pré-requisito é que o participante deve ter no mínimo 16 anos. Inscrições gratuitas.
O Curso propõe um encontro com a diversidade da Festividade da Marajuda, ritual composto de um conjunto de danças do folclore da cidade de Bragança no Pará. Os participantes vivenciarão, através de aulas teóricas e práticas de Retumbão, Mazurca e Xote, o contexto histórico baseado em uma leitura parafolclórica da manifestação e uma percepção corporal através da musicalidade e dos elementos estruturais da dança.
Formado no Curso de Técnico em Dança pela Universidade Federal do Pará – UFPA, Cleber participou de Grupos Folclóricos, Parafolclóricos (Grupo do Pará, Muiraquitã, Grupo de Cultura Nativa e Popular do Sesc, Restaurante Sabor da Terra – Espetáculo de Danças Folclóricas, etc), Thiganá Estudo de Dança de Salão e Quadrilhas Juninas Roceiras (Encanto da Juventude – Guamá) gerou diversas premiações, como o de melhor coreógrafo do concurso de quadrilhas roceiras de Belém-PA nos anos de 1995 a 1997. Atualmente faz parte do quadro de professores de dança do Sesc no Pará, e ministrará constantemente oficinas no Sesc Boulevard e Sesc Doca.
FONTE: DOL
quinta-feira, 4 de junho de 2015
Renato Russo é protagonista no livro de memórias de Dado Villa-Lobos
Foi em um campo de futebol que Dado Villa-Lobos, guitarrista que integrou a Legião Urbana, tomou a decisão de narrar as suas memórias. Em uma breve discussão sobre qual time deveria fazer um arremesso lateral, descobriu que um jogador da equipe adversária era fã de sua antiga banda. Foi a partir desse jogo que ele começou a conversar com o historiador Felipe Demier para que transformassem em livro as suas lembranças. Logo Romulo Mattos, outro historiador, juntou-se à empreitada. Dessa forma, os três aparecem como autores na capa de "Dado Villa-Lobos – Memórias de um Legionário".
"Eles trouxeram toda a apuração histórica e cronológica dos fatos, foram atrás de dados importantes e específicos de cada situação, verificaram toda a documentação desses últimos 30 anos, buscaram em jornais, publicações, revistas, no acervo da Fernanda, minha mulher...", conta Dado por telefone ao UOL. Entre 2012 e 2013, o guitarrista se reuniu diversas vezes com Demier e Mattos para lhes contar o que se lembrava de sua história, principalmente da vivida com a Legião.
Coube a Dado dar a cara final à obra. A principal ideia era apresentar um novo enfoque para a já conhecida história da Legião, mostrando uma "visão interna da banda, da dinâmica do grupo". Com isso, apesar de o livro conter poucas passagens inéditas –muito já foi registrado em outras obras sobre Renato Russo, a própria Legião ou o rock nacional--, tem seu valor pelos detalhes, sensações, opiniões (a respeito dos álbuns da banda, principalmente) e pela visão que apenas um dos protagonistas da história do maior grupo de rock do Brasil poderia evidenciar.
Um desses momentos, por exemplo, mostra os bastidores da gravação de "A Era dos Halley", especial da Globo que foi ao ar em 1985, na ocasião da passagem do cometa Halley. Na ocasião, os integrantes da Legião apresentaram "A Canção do Senhor da Guerra" em figurinos bizarros --Renato Russo estava de capa, espada, capacete e óculos, enquanto Renato Rocha, o Negrete, baixista dos primeiros três álbuns do grupo, usava um capacete de chifres. "Essa banda teve poucos momentos divertidos, e esse foi um deles", registra o livro.
Há outros momentos de diversão, principalmente quando Dado fala de sua juventude, das produções em estúdio e das relações amistosas que os colegas de banda nutriam quando não estavam trabalhando. As memórias relacionadas à Legião, no entanto, são marcadas sobretudo pela tensão, principalmente por conta do humor instável, da saúde frágil e dos problemas com drogas de seu líder. "Era uma realização plena, mas tem muitas questões tristes", lembra o músico.
Renato Russo, aliás, toma proporções enormes no livro. Em certo momento, a impressão é que lemos as lembranças de Dado relacionadas estritamente a Renato, tamanho o protagonismo que o vocalista e compositor assume, apesar de o livro revelar as experiências de seu parceiro musical. "Ele é quase que o protagonista da história. Ali tem as memórias do legionário, e o Renato tem essa força, tanto que agora é mitificado. Ele foi o cara que realmente mexeu com a turma em Brasília de forma muito forte e intensa", assume Dado.
Contudo, enquanto a banda existia, o guitarrista garante que os integrantes não imaginavam que tanto Renato quanto a Legião tomariam as proporções que tomaram. "Estávamos juntos, alimentando essa entidade que era a Legião, mas não parecia que o Renato era um mito. A gente se encontrava domingo no cachorro quente, contava piada e jogava Imagem & Ação. O próprio Renato lutava contra essa mitificação. Éramos só mais uma banda de rock no cenário", diz. Mas o tempo mostrou que a Legião Urbana não era "só mais uma banda".
FONTE: UOL
quarta-feira, 3 de junho de 2015
Difícil dizer o que vai pior no ‘SuperStar’: bandas ou jurados
No terceiro e último episódio da fase "Superpasse", quando as bandas apadrinhadas por um mesmo jurado se enfrentam em um mata-mata, a monotonia tomou conta do SuperStar, o reality show de bandas da Globo. Se os jurados pareciam se repetir com comentários semelhantes aos de outros domingos, as bandas pecavam na falta de qualidade, tanto que músicos como Tico Santa Cruz, vocalista do Detonautas, e Leo Jaime, do hit Gatinha Manhosa, usaram o Twitter para criticar os participantes da noite passada.
O grupo Consciência Tranquila, por exemplo, que precisou ser salvo pelo jurado Thiaguinho, com o poder de escolher um entre os três menos votados pelo público para continuar no reality show, foi alvo tanto de Leo Jaime como de Tico Santa Cruz. Segundo o cantor, o vocalista e o coro da banda não "ornavam" com a música. Para o líder dos Detonautas, eles "não somaram muito ao programa".
Thiaguinho, que parece ter ainda menos repertório de jurado do que Sandy, repisou um de seus fracos argumentos ao falar do grupo Dois Africanos. Para o pagodeiro, "a intenção do artista é emocionar as pessoas", coisa que Dois Africanos, com a autoral Djuba, cantada em português e em ioruba, língua falada em boa parte da Nigéria, país dos cantores, conseguiu fazer. A banda teve 84% de aprovação dos espectadores, a segunda melhor votação da noite.
O concorrente mais votado, com 86%, foi a dupla Lucas e Orelha, que apresentou uma versão da música Cobertor, feita por Anitta em parceria com o rapper Projota. A mescla de pop e rap recebeu elogios tanto dos jurados "reais", quanto dos "virtuais". "Cantam muito bem, são afinados", escreveu Tico Santa Cruz. Já Sandy focou mais uma vez na questão vocal: "Cantam muito bem!", disse ela.
O Grupo Zueira mesclou Mais que Nada, de Jorge Ben, com This Love, do Maroon 5. Com canções já conhecidas, os 83% de votos do público vieram fácil. O funk americano foi representado pela banda Serial Funkers, que tocou a música autoral Coisa Assim e conseguiu 78% de votos. Com 2% a menos, a grupo de reggae Vibrações pegou a quinta posição da noite com apresentou a autoral Bom Amigo, cujo arranjo foi criticado por Leo Jaime, ao dizer que "não é grandes coisas".
Na semana que vem, dia 7, começa o "Superfiltro", nova fase do programa, em que nove bandas se apresentam por domingo, três de cada jurado do SuperStar. Desta vez, Thiaguinho, Sandy e Paulo Ricardo não poderão salvar ninguém, e as três piores bandas de acordo com avaliação do público serão eliminadas.
FONTE: VEJA.COM
terça-feira, 2 de junho de 2015
Arraial do Pavulagem busca financiamento coletivo
Uma tradição popular que há quase 29 anos percorre as ruas da capital paraense está contando com a população para que suas atividades aconteçam. O Arrastão do Pavulagem é um cortejo de rua organizado pelo grupo Arraial do Pavulagem e concebido para celebrar a quadra junina e a rica cultura popular paraense, mas que precisa recorrer ao financiamento coletivo para acontecer no mês de junho.
Até o próximo dia 8 o grupo pretende arrecadar R$ 25 mil e, quem sabe, chegar até os R$ 100 mil em 29 de junho. Dessa forma, eles teriam recursos suficientes para garantir, a cada domingo, o colorido e a alegria que marcam a relação do arraial com o público e com o calor das ruas.
“A gente se preparou para se inscrever em editais e utilizar o incentivo com patrocínios através de empresas, mas, diante de uma situação econômica tão difícil, ficamos sem nosso tradicional apoio. Conseguimos alguma ajuda da área pública, como estrutura de palco e pequenas coisas, mas ainda precisamos de dinheiro para pagar as pessoas que trabalham conosco”, explica um dos vocalistas do Arraial do Pavulagem, Júnior Soares.
Junho no Pará, sem o arrastão, uma das festas mais populares da cultura local, é como festa junina sem quadrilha. Por isso os integrantes resolveram, diante da falta de apoio, recorrer ao público.
“Resolvemos experimentar outros formatos de captação. Nosso sonho é depender apenas da gente para realizar as ações, mas acreditamos que a ideia do financiamento coletivo pode ser uma alternativa. Acredito que a sociedade tem que dar sua colaboração, estamos acostumados a receber tudo de graça e ninguém tem o hábito de pagar para ver a cultura paraense”, completa Júnior.
Até o fechamento dessa edição eles tinham conseguido R$ 3.810,00 da meta de R$ 25 mil, com a colaboração de 63 patrocinadores. Mas o grupo pretende sair das redes sociais e ir para as ruas sensibilizar os brincantes a colaborar.
Eles estão realizando minicortejos em lugares como a Braz de Aguiar, Praça da República e shoppings. No dia 7 de junho, às 17h, o Arraial do Pavulagem e o Batalhão das Estrelas se apresentam no Pátio Belém.
“Ainda não atingimos uma meta e, se continuar assim, não vai ter o cortejo como era antes, todos os domingos, ou com show na praça. O arrastão na rua não depende muito de financiamento, mas o show depende de uma estrutura maior”, diz Júnior.
Não é a primeira vez que o arte-educador Clayderson Freire colabora para que o arrastão aconteça. Ele já doou mais que dinheiro, doou seu tempo para as oficinas e até emprestou sua casa para que elas acontecessem e para que o material fosse guardado, quando o grupo ainda não tinha uma sede própria.
“Eu comecei gostando das músicas, mas quando vi estava envolvido. Estamos com amor fazendo o que podemos para ajudar, porque queremos que o arrastão aconteça. A gente divulga para os amigos, pede ajuda, eu até vendi um dos instrumentos que tenho, um tambor, e deixei uma parte como doação. Eu mandei vir um instrumento de Macapá para vender e ajudar mais. Acho que está um pouco complicado conseguir essa meta, mas até o último minuto vamos correr atrás”, diz o fã.
Onde colaborar:
- No site eupatrocino.com.br/arrastao-do-pavulagem-2015. Basta escolher o valor e pagar no próprio site, com cartão de crédito ou boleto bancário.
- Também pode ser em dinheiro, na sede do site EuPatrocino - rua Triunvirato, 405. Sala 01 (Cidade Velha)
- No Pátio Belém (Trav. Pe. Eutíquio), onde haverá quiosque Eu Patrocino, hoje e nos dias 6 e 7 de junho, das 10h às 22h.
Quanto:
Você pode colaborar quantas vezes quiser, com o mesmo valor ou com valores diferentes.
Prêmios:
Em retribuição, o Instituto Arraial do Pavulagem oferece kits com produtos, que serão entregues na sede do instituto (Rua Boulevard Castilhos França, 738, Campina, Belém).
Os produtos só serão produzidos se a primeira meta for alcançada. Caso não seja atingida, o dinheiro de colaboradores será devolvido.
Kit Carimbó [R$ 20].
Adesivo + agradecimentos especiais no site arraialdopavulagem.org e facebook.com/institutoarraialdopavulagem.
Kit Toada de Boi [R$ 40].
Chapéu de palha com fitas + adesivo + agradecimentos
kit Pássaro Junino [R$ 40].
Camisa + adesivo + agradecimentos.
kit Quadrilha [R$ 50].
CD autografado + adesivo + agradecimentos.
kit Xote [R$ 100].
Chapéu de palha com fitas + camisa + CD autografado + adesivo + agradecimentos.
kit Retumbão [R$150].
DVD+ CD autografado + camisa + adesivo + agradecimentos.
kit Cortejo fluvial [R$ 300].
Ingressos para duas pessoas no barco do traslado dos bois Pavulagem e Malhadinho na abertura do Arrastão do Pavulagem + 2 chapéus de palha com fitas + 2 camisas + agradecimentos.
O Arrastão do Pavulagem é uma das maiores manifestações populares do Pará. Concentrado na capital paraense, ele contribui para manter viva a memória oral, tão importante para a formação da identidade das novas gerações, em particular aquelas que vivem condicionadas ao espaço urbano.
Tudo para partilhar com o público, a cada domingo de junho, as heranças do boi-bumbá, as bandeiras de santos, o mastro, os bonecos cabeçudos, os ritmos, cores, danças, cantos e cheiros característicos da região, em uma festa que inunda de alegria e cor a capital paraense.
Mas se para um grupo com a expressão e a solidez do trabalho do Arraial do Pavulagem o incentivo não veio, imagine-se para grupos populares do interior do Estado ou sem um público tão grande. “É um momento de dificuldade para todos nós, mas não é algo diferente do que vive a maioria dos músicos no estado e no Brasil inteiro. Não queremos falar só de nós e da nossa dificuldade. Acho que discutimos mal cultura em casa, na escola, nas secretarias de governo. A realidade de hoje, com economia bagunçada por corrupção, descaso, má aplicação do dinheiro público, atinge a cultura de uma forma fulminante. O que está em jogo são anos de luta dos segmentos culturais. O Arraial não quer falar do seu umbigo, mas é preciso que os gestores saiam dos gabinetes e conheçam o que está sendo feito”, diz Ronaldo Silva, presidente do Instituto Arraial do Pavulagem.
Ronaldo reconhece que o grupo sempre contou com apoios importantes das esferas pública e privada, e com o carinho dos brincantes. Mas diz que algumas opções ideológicas do grupo - como não aceitar patrocínio de bebidas alcoólicas, por acreditar que elas ferem o caráter pedagógico e familiar da manifestação - poderiam fazer com que eles chegassem a essa situação.
“É uma tristeza ver que a cultura paraense está chegando a um patamar de falta de diálogo, com espaços inacessíveis, teatros esvaziados e dinheiro público volumoso para coisas de vêm de fora, e a não valorização do artista paraense e da cultura popular. Se formos pensar na quantidade de dinheiro que chega para bois, pássaros, cordões de bichos, quadrilhas e outros eventos populares em relação a outras ações, veremos que estamos muito distantes. O gestor não pode ser inimigo do artista e não pode decidir isoladamente. Precisamos de um canal para garantir que a prática cultural continue ocorrendo”, critica Ronaldo.
FONTE: DIÁRIO DO PARÁ
segunda-feira, 1 de junho de 2015
Scorpions: Pesado, romântico e ainda relevante
Ao contrário de alguns grandes nomes do hard rock, que ultimamente quase se arrastam no palco, a idade não parece ser problema para os alemães do Scorpions, que completam cinquenta anos de estrada e atualmente promovem seu décimo nono disco de estúdio, "Return to Forever" (2015). Em boa forma física, eles desistiram da aposentadoria, anunciada para depois da turnê de "Sting in the Tail" (2010), e seguem encantando fãs de três gerações. Mais que a heterogenia, a versatilidade musical foi um dos fatores que fez o grupo ter admiradores dentro e fora da esfera do rock.
Após a primeira passagem pelo Brasil na primeira edição do "Rock In Rio", ocorrida em janeiro de 1985, clássicos como "Blackout", "Rock You Like a Hurricane", "Big City Nights" e "Bad Boys Running Wild" foram a porta de entrada para muitos brasileiros caírem de cabeça no heavy metal. "Começamos como uma simples banda de rock. Nunca fomos 100% heavy metal, mas obtivemos sucesso com 'Rock You Like a Hurricane' e músicas que estavam ligadas a este cenário", explicou Meine.
Mesmo figurando ao lado de Iron Maiden, Ozzy Osbourne, Black Sabbath e Judas Priest na preferência dos fãs brasileiros de rock pesado, as baladas caíram bem para as rádios FM. O apelo popular veio através do romantismo de "Holiday", "Still Loving You" e "Send Me An Angel". Já a emblemática "Wind Of Change", canção que simbolizou as mudanças políticas na Europa Oriental no final dos anos 1980, ainda pode ser ouvida em várias estações brasileiras de AM.
Se a faixa "We Built This House", de "Return to Forever", fala de forma metafórica de como o Scorpions construiu uma carreira de sucesso, quem sabe a vontade de sair de cena não voltará a ser cogitada tão brevemente. A empolgação que Klaus Meine, Rudolf Schenker e Matthias Jabs (guitarras), Paweł Mąciwoda (baixo) e James Kottak (bateria) passam em seus shows, e em suas declarações à imprensa, comprovam que a vontade de abandonar os palcos ficou no passado. "Costumamos fazer turnês mundiais com frequência desde a década de 70. Isto faz com que você seja comentado e visto", analisou o vocalista, que completou 67 anos de idade no último dia 25 de maio. "Se você sabe fazer uma grande apresentação, a boa imagem irá perdurar por muito tempo", concluiu.
FONTE: UOL
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