terça-feira, 31 de dezembro de 2013

De David Bowie a Miley Cyrus, 2013 foi de reconstrução para a música.

Se me pedirem para definir o ano de 2013 em uma única palavra (espero que não peçam), eu usaria "reconstrução". Olhando com os olhos do mundo, Brasil incluído, pela primeira vez desde o início dos anos 2000 o mercado anteriormente conhecido como "fonográfico" aparentou conforto em lidar com plataformas como o iTunes, CDs, discos de vinil ou aplicativos de streaming. Pela primeira vez, ficou claro que a MTV foi trocada pelos lyrics vídeo para assistir no celular, que a "crise" não é uma crise e que nossa relação com a música não será a mesma que em 1994. No Brasil, a volta da 89FM - A Rádio Rock, o retorno digital da revista "Bizz", os serviços de streaming como Deezer e Rdio botando as manguinhas de fora, Gaby Amarantos e os indies na novela das sete, pintaram um 2013 muito diferente daquele pintado pelos profetas do óbvio. Se estamos muito distantes da corrente perfeitamente azeitada e promissora dos anos 1980, também há diversos sinais de que 2014 começa repleto de oportunidades para os talentos que nunca deixaram de brotar. Pensando bem, foi um ano tão virado de cabeça para baixo que alguns dos maiores ídolos da música passaram a maior parte do tempo pensando em como não aparecer. David Bowie soltou seu primeiro disco de inéditas em dez anos, "The Next Day", de uma hora para outra em março e recolheu-se em sua névoa de mistério em que está levitando desde que assumiu este novo e gretagarboniano personagem. Beyoncé gostou da ideia e também pegou o mundo de surpresa com um "álbum visual" homônimo em dezembro. Tanto o inglês quanto a norte-americana venderam horrores, se deram bem nas paradas, lançando uma tendência do anti-marketing como possibilidade de marketing. Talvez Miley Cyrus, a atriz-cantora celebrizada como Hannah Montana na série da Disney, pudesse aprender um pouco com Bowie e Beyoncé. Miley abriu 2013 anunciando que finalmente seria publicamente "a vagabunda" que afirmava ser na vida real e cruzou o ano implorando nossa atenção, fazendo caretas, mostrando o corpo, postando nas redes sociais e fazendo algo parecido com música. À primeira vista, a turminha do movimento Procure Saber também zelava pela vida privada dos artistas brasileiros --à mercê de biógrafos que, segundo Djavan, fariam "fortunas" explorando sua dor e à dos que os cercavam. No final, ficou evidente que o movimento era apenas o retrato de gente com uma visão anacrônica de poder vivendo em tempos de descontrole absoluto da informação. No meio do caminho, ficou dolorosamente evidente que toda a ética dos anos 1960 era mais fruto das circunstâncias do que de convicções. E, de uma hora para outra, Caetano, Gil, Chico, Roberto e diversos outros mancharam suas biografias de forma talvez indelével. A esta altura, você já deve estar se perguntando sobre os melhores discos do ano. E faz sentido porque ainda pensamos na música a partir da unidade de medida dos álbuns. Um dado curioso foi que em 2013, tanto a corporativa "Rolling Stone" quanto o alternativo site Pitchfork elegeram "Modern Vampires of the City", do Vampire Weekend, como o melhor disco do ano. Neste seu terceiro trabalho, o grupo novaiorquino enxugou suas pretensões musicais e fez o que talvez seja seu disco mais cheio de ganchos. Mas "...Like Clockwork" do Queens of the Stone Age, "AM" dos Arctic Monkeys e "Reflektor" do Arcade Fire também fizeram bonito. Estes, ao lado do Franz Ferdinand (que compareceu com seu "Right Thoughts, Right Words, Right Action") acabaram concretizando um certo cânon do rock internacional dos anos 2010, o que não deixa de ser uma boa notícia. No mundo pop sem guitarras (apesar do estadalhaço causado por "Yeezus" do rapper Kanye West), dá para afirmar que 2013 foi dominado por "Random Access Memories", do Daft Punk. Do ultrahit "Get Lucky" e o clipe simulando VHS no Youtube ao verdadeiro happening que é "Georgio by Moroder", o duo francês arrastou o trono pop e sentou-se confortavelmente nele. Diversas camadas abaixo, o Disclosure também impressionou com seu "Settle". E a adolescente Lorde, com seu irresistível hit "Royals" tocando em rádios rock e em bailes funk. E o Brasil? Vale a pena falar de melhores do ano logo depois de sabido que as mais tocadas no rádio foram Bruno & Marrone, Luan Santana, Anitta, Naldo e uma fila de nomes dos quais não nos lembraremos em dois anos? Vale. O ano de 2013 esgueirou-se entre as tensões entre direita e esquerda, entre liberais e conservadores, entre Lobão e Reinaldo Azevedo, entre o completo pragmatismo do mercado e as possibilidades da manifestação artística mais pura. Foi o ano em que discutimos o Fora do Eixo, em que fomos às ruas sem trilha-sonora, em que dois quintos do Charlie Brown Jr. sucumbiram à "vida loka" que tematizaram tantas vezes. E, musicalmente, foi o ano em que Emicida tirou o hip-hop nacional da sombra dos Racionais MC's com o brilhante "O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui", lançando música e uma avacalhada brasilidade à marra do rap brasileiro. Foi o ano em que o indie brasileiro saiu da sombra do Los Hermanos, com os ótimos discos "Estado de Nuvem", de Bruno Souto, "Esperanza" do grupo epônimo, e, talvez o mais surpreendente entre a turma das guitarras, "Antes Que Tu Conte Outra", do Apanhador Só. Talvez o maior símbolo de 2013 seja o grupo paulista Supercombo com a delicada e musculosa "Piloto Automático" tocando no rádio. Nem tocou tanto, nem em tantas rádios assim. Mas é a trilha de um ano que veio para enterrar o velho e sinalizar o novo. Um feliz 2014 para quem ama música. FONTE: UOL (RICARDO ALEXANDRE).

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Discos de vinil crescem em vendas em 2013; saiba como cuidar da sua coleção.

Há quem ainda consuma música no formato CD, mas é possível notar nos últimos anos o gigantesco aumento das vendas digitais junto ao consumo de serviços de streaming e, supreendentemente, o crescimento no mercado de discos de vinil. Isso mesmo, as tais bolachonas que não são as mais práticas, mas que certamente melhor proporcionam a união entre qualidade sonora e experiência sensorial e afetiva. E os números não mentem. Como divulgou a BPI (British Recorded Music Industry), órgão responsável por gerenciar os números da indústria britânica, o Reino Unido teve seu melhor ano em vendas de discos de vinil desde 2001 -- que deve chegar a 700 mil cópias até o final de dezembro. Se comparado ao bolo inteiro, a venda de LP ainda é bem pequena na indústria, representando apenas 0,8%, mas ao considerar que em 2007 essa porcentagem era de 0,1%, a perspectiva muda. Os em parte responsáveis pelo bom ano têm nome: Daft Punk, David Bowie e Arctic Monkeys, que lançaram os ótimos materiais inéditos "Random Access Memories", "The Next Day" e "AM", respectivamente. Tais artistas investiram no formato e tiveram resposta positiva de seus fãs. O disco da banda comandada por Alex Turner, inclusive, lidera as vendas de vinil na Amazon britânica e "Random Access Memories" ficou no topo das vendas durante boa parte do ano. Outro ponto principal que tem auxiliado no fomento do mercado de vinil são os Record Store Day (Dia da Loja de Discos, em tradução livre), nos quais os estabelecimentos independentes se reúnem com artistas para o lançamento de materiais exclusivos e, às vezes, inéditos. Tem quem estoure o cartão de crédito na data comemorativa geralmente marcada no mês de abril. No caso dos Estados Unidos e Canadá, também houve aumento. A Nielsen SoundScan, que contabiliza os resultados dos mercados fonográficos de ambos os países, divulgou, por meio de relatório, que só na primeira metade do ano, o aumento das vendas de álbuns em vinil foi de 33,5% se comparado a 2012 – tendo o Daft Punk liderado com 32 mil cópias comercializadas até julho (contra 869 mil cópias digitais de "The 20/20 Experience", de Justin Timberlake). Tudo indica que o balanço final de 2013 deva ser ainda mais positivo para as bolachas. Por aqui - No caso do Brasil, os números de vendas de vinis são bem menores se comparados aos da Inglaterra e Estados Unidos, embora também tenha sido registrado grande aumento em 2013. A Polysom, a única produtora de vinis da América Latina, deve fechar o ano com um crescimento de aproximadamente 142% na produção em relação a 2012. "Isso demonstra que o mercado já está girando sem depender de apenas uma empresa lançando novos títulos", disse João Augusto, que reabriu a fábrica no ano de 2009, quando havia enorme descrença quanto à retomada concreta de tal tipo de consumo musical. O consultor, no entanto, não quis detalhar ao UOL os números de unidades produzidas e comercializadas na trajetória da fábrica. Assim como os gringos, os artistas nacionais também têm investido cada vez mais no formato. A Polysom, por exemplo, comercializa obras de nomes como O Rappa, Nação Zumbi, Tulipa Ruiz, Los Hermanos, Vanguart e Pitty. Entre os clássicos, figuram reedições remasterizadas de 180 gramas de Jorge Ben, Banda Black Rio, Moacir Santos, Novos Baianos, Secos e Molhados, Tom Zé. Os preços salgados variam, em sua maioria, de R$ 60 a R$80 – a justificativa são os altos impostos e altos gastos com matéria-prima. Como cuidar do seu vinil - Lançamentos, relançamentos e itens raros para ter em sua coleção e ouvir até enjoar. Quem tem esse hábito de consumo sabe o vício e a delícia que é retirar o álbum do encarte, colocá-lo no toca-discos, posicionar a agulha na primeira faixa e deixar o som rolar enquanto aproveita para vasculhar a arte de capa. Mas de nada adianta ter uma coleção com o melhor da música nacional e internacional se não houver um cuidado especial com os vinis. Assim, a pedido do UOL, João Augusto e Rodrigo Heyder, doutorando na área de polímeros do Instituto de Química da USP, deram dez dicas preciosas para a melhor conservação e limpeza de seus discos. "Qualquer limpeza tem de ser realizada de forma suave e com materiais macios, para que a sujeira não risque ou destrua os sulcos por onde a agulha corre", diz Heyder. "O uso de produtos químicos tem que ser muito cauteloso para que não destrua a superfície ou deixe resíduos." Veja abaixo: Limpeza a seco - Use uma escova de cerdas macias – geralmente as de cerdas de fibra de carbono são bastante recomendadas. Outra possibilidade são as flanelas anti-estáticas, como aquelas utilizadas para limpeza de televisores. Modus operandi - Lembre-se de que a limpeza deve sempre ser feita no sentido dos sulcos. Isso evita arranhões e facilita a remoção da poeira que esta depositada no interior deles. Limpeza profunda - Em certos casos o ideal é água e detergente neutro em pouca quantidade e bastante diluído. Enxágue diversas vezes para garantir que não haja resquícios de detergente na superfície do disco. O detergente teria a função de dissolver as gorduras e permitir que a água interaja com a poeira da superfície do disco, eliminando-a. Cuidado maior - Uma dica que Rodrigo dá aos que têm mais zelo com suas bolachas é o uso de água destilada. "Depois de utilizar água da torneira, o vinil irá secar e, caso haja sais dissolvidos nesta água, estes poderão ficar retidos na superfície do disco, o que pode danificá-lo futuramente." Deixe secar em pé em ambiente fresco e longe do sol. Depois, se necessário, utilize a flanela macia. Selo - Em casos de vinis antigos, é válido evitar o contato da água com o selo que se encontra no centro do disco. João Augusto destaca, porém, que, em casos de vinis novos, após contato com a água "o rótulo do disco, que foi soldado ali no momento da prensagem, não sofrerá danos na lavagem desde que não fique ensopado por muito tempo". Inimigos do vinil - Evite quaisquer outros produtos e, principalmente, a utilização de álcool e silicone para a limpeza. "O álcool pode danificar o plástico da superfície do disco e o silicone também não seria uma boa escolha porque ele encobriria os sulcos e seria um problema para o correto deslize da agulha do toca-discos (além de o pó ficar mais facilmente retido)", afirma Rodrigo. Cor em cor - Com diversos lançamentos em variadas cores, é comum encontrar vinis azuis, vermelhos, transparentes, brancos, entre outras cores. Pois saiba que a cor deles não altera a composição do material polimérico, segundo o químico da USP, portanto a limpeza pode ser feita de forma idêntica a do disco negro tradicional. Para discos antigos em 78 rotações feitos em goma-laca a combinação de água e sabão neutro também não tem erro. Armazenamento - Nunca, em hipótese alguma, empilhe sua coleção de discos. Sempre deixe-os em pé, uns ao lado dos outros. João Augusto explica: "armazenados em pé, a força centrífuga gerada faz com que os discos ganhem resistência. Se deitados, a superfície de 30 cm de diâmetro sofrerá ação da gravidade e tenderá a entortar com o peso de outros discos em cima ou com a imperfeição da superfície abaixo". Temperatura - Se o ser humano sofre com calor, imagine um material de plástico. Aquela sua linda coleção dos Rolling Stones certamente não sobreviverá se você não tomar esse cuidado. Portanto, atenção: deixe sempre seus discos em locais com temperatura amena e longe, bem longe do sol. Embrulho - Alguns vinis, especialmente os mais antigos, vêm inseridos em um saco plástico dentro do encarte e em alguns casos, é bom ficar atento e trocá-lo periodicamente. "Se o envelope plástico for de alta densidade, aquele tipo mais 'barulhento', não é necessário a troca porque ele não gera estática", explica João Augusto. "Mas quando eles são feitos com aqueles plásticos mais macios, a tendência é acumular poeira e, nesse caso, é recomendado que a troca de tempos em tempos." FONTE: UOL

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Retrospectiva 2013: Música de balada não ajudou manter sertanejo em alta.

A música sertaneja tem revelado ao menos um grande artista por ano, mas neste 2013 passou quase em branco. Houve um grande hit --"Piradinha", de Gabriel Valim, impulsionada pela novela "Amor à Vida"-- e revelações que prometem para o ano que vem (Henrique & Juliano, Jads & Jadson), mas o gênero chega ao fim do ano mostrando esgotamento em certos formatos, mesmo voltando ao certeiro repertório romântico. Os últimos 12 meses foram difíceis para quem apostou nas onomatopeias, nas dancinhas e nas canções sobre bebedeira. As rádios exclusivamente sertanejas reduziram, pouco a pouco, as músicas de balada para conter a ascensão de emissoras populares concorrentes que tocam de tudo. Fato que incomodou principalmente os grandes centros. O respiro de quem apostou em arrochas e "funknejos" foi o fortalecimento das casas noturnas sertanejas, que passaram boa parte do ano lotadas. Os artistas jovens mais reconhecidos, cientes dos alertas que o mercado dava --como a diminuição do público nas feiras e a reclamação de contratantes de que os shows estavam cansativos e sem novidades-- mudaram de foco já no início do ano e correram para o romantismo. Luan Santana ("Te Esperando", "Tudo que Você Quiser"), Michel Teló ("Maria", "Se Tudo Fosse Fácil"), Fernando & Sorocaba ("O Que Cê Vai Fazer", "Gaveta") e Gusttavo Lima ("Diz Pra Mim", "Fui Fiel") correram atrás e tentaram passar ao público a mensagem de que têm mais a oferecer do que um sucesso pontual. Boa parte dos novatos seguiu apostando que a grande oportunidade ainda viria de um "besteirol" para cair nas graças do público. O resultado foi um baixo número artistas novos bem sucedidos. Os que se destacaram, como Jads & Jadson, Henrique & Juliano, e Loubet, mais regionalmente, chamaram a atenção por um repertório mais completo, e não apenas por um hit. Na última semana foi divulgado um levantamento feito pela Crowley Broadcast Analytics com as músicas sertanejas mais tocadas nas rádios em 2013. Entre as dez primeiras, sete são românticas. A liderança ficou com Bruno & Marrone e sua "Vidro Fumê", uma música brega-sertaneja de uma dupla que estourou há 12 anos. E seguidos por Luan Santana com "Te Esperando" e da novidade Jads & Jadson com "Do Jeito que Tu Faz é Carinhoso". Após anos em que as atenções se voltaram ao estilo de "Ai Se Eu Te Pego", "Balada Boa" e "Camaro Amarelo", o sertanejo fecha 2013 repleto de destaques românticos. A falta de um grande artista do ano, no entanto, parece não prejudicar a imagem do sertanejo com o público. Em pesquisa divulgada pelo Ibope no mês de outubro, 58% dos brasileiros ouvintes de rádio disseram que consomem música sertaneja. Em algumas regiões específicas, como o Sudeste, o número chega a 72%. O sertanejo promete manter a inclinação romântica em 2014, mas o sucesso das boates, aliado ao clima de festa e Copa do Mundo, deve manter as canções de balada em alta. Mas apostar somente na busca de um hit, sem projetar em um repertório completo e sem canções que interessem às rádios, parece um formato que não funciona mais. Mesmo não tendo sido o melhor ano para a música sertaneja, seus protagonistas acabaram virando notícias. Na televisão, o Villa Mix, principal festival do gênero, ganhou espaço e virou especial de fim de ano da Globo, sob o nome de "Sintonize". A parceria com a emissora veio na mesma época em que foram confirmadas as participações de Paula Fernandes, Luan Santana e Jorge & Mateus em um novo projeto da Globo, o "Sai do Chão", que vai ao ar no início de 2014. Enquanto todos buscavam um hit, o ainda desconhecido Gabriel Valim surgiu cantando "Piradinha", o tema de Valdirene (Tatá Werneck) na novela "Amor à Vida", da Globo. Após ter passado por diversos programas de televisão, o cantor ainda trabalha para que o destaque da música ajude a dar sequência em sua carreira. Daniel, ao completar 30 anos de carreira, passa por seu momento de maior popularidade, como jurado do "The Voice", programa que surpreende positivamente na audiência, e intérprete da música de abertura da novela "Amor à Vida". Mas a principal canção da novela também virou notícia após uma série de críticas à interpretação de Daniel. Questionado sobre o tom das análises, o cantor disse que viu "maldade" em algumas delas. No ano em que Edson & Hudson começaram a voltar a festas maiores e lançaram um CD elogiado ("Na Hora do Boteco"), Hudson enfrentou problemas com a polícia. Ele responde criminalmente por dois processos, em Limeira (SP), por porte de arma de fogo e munições. Em março, ele foi abordado duas vezes pela Polícia Militar e chegou a ser preso por três dias. Depois, conseguiu habeas corpus e respondeu pelos crimes em liberdade. Em outras instâncias, Guilherme Arantes criticou uma suposta "monocultura" brasileira, focada em sertanejo e pagode, e usou termos como "país infantilizado" para se referir ao gosto dos brasileiros. Os sertanejos se incomodaram, mas não se manifestaram, até que Luan Santana decidiu responder e dizer que "o Brasil é livre", e que "quem não gosta de sertanejo, vai pra outro ritmo". O cantor César Menotti foi destaque no "Medida Certa", quadro do "Fantástico" do qual não saiu com o troféu, mas seu esforço em transformar sua vida sedentária em algo mais saudável foi acompanhado por milhões de pessoas. Os resultados positivos dos exames, ao final do programa, mostraram que o esforço valeu a pena. FONTE: UOL

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Katy Perry confirma planos de dueto com Rihanna.

Após algumas especulações ao longo dos últimos anos, as amigas Katy Perry e Rihanna devem, enfim, lançar um dueto. Em entrevista à rádio americana Kiis FM, a namorada do cantor John Mayer confirmou que tem planos para gravar uma música com Rihanna, mas que as duas vãos se juntar apenas quando tiverem a “música perfeita”. “Nós falamos sobre isso há anos, então não podemos decepcionar ninguém. Temos que fazer a melhor música de todos os tempos”, afirmou Katy à rádio de Los Angeles. “Nós certamente vamos estudar essa possibilidade, e quando acontecer, vocês saberão”, completou. Atualmente, Katy Perry está em turnê de divulgação de seu álbum mais recente, Prism, lançado em outubro de 2013, e participou recentemente da faixa Who You Love, em uma parceria com John Mayer. Já Rihanna, que tem o disco Unapologetic (2012) como seu último trabalho inédito, lançou no último dia 16 de dezembro a faixa The Monster, sua segunda parceria com o rapper Eminem. FONTE: VEJA.COM

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Campanha nas redes sociais pede um Natal sem Simone.

Quem presta vestibular este ano provavelmente não sabe o que é um Natal sem Simone. Há dezenove anos, é só chegar dezembro para que lojas, restaurantes e elevadores disparem a canção mais tocada e grudenta dessa época do ano: “Então, é Natal, e o que você fez?/ O ano termina / e nasce outra vez”. A voz da baiana Simone, cantora que já conta 40 anos de carreira, mas há quase duas décadas é mais conhecida como uma espécie de intérprete "do peru" do país, sobe para entoar nada menos que seis vezes o verso “Então é Natal”, quatro vezes a variação “Então, bom Natal” e outras três a abreviação “É Natal”. Em quatro minutos de canção. Cansados dessa repetição, usuários de redes sociais organizaram a campanha Natal sem Simone, que pede para estabelecimentos comerciais evitarem a faixa-chefe de 25 de Dezembro, disco lançado por Simone em 1995 – se não o álbum todo. Procurada para comentar a ação nas redes, a cantora não atendeu a reportagem. No programa Altas Horas, exibido pela Globo neste sábado, contudo, Simone, vestida de branco como um Roberto Carlos, considerou “lamentáveis” as críticas que 25 de Dezembro e Então É Natal vêm recebendo. "Eu lamento que se pratique esse ato violento e espero que a gravadora tome as providências cabíveis e necessárias, porque isso não cabe a mim, a mim cabe cantar", disse. Lamentável mesmo é que ela não entenda que toda repetição ao extremo vira tortura. E que não veja como esse trabalho que defende fez mal à sua carreira – que já foi, digamos, mais ambiciosa, flertando com o samba e a MPB, e hoje é estigmatizada pela canção do eterno retorno. Verdade seja dita, a música não é a pior do cancioneiro nacional -- a base melódica de John Lennon é respeitada e a letra em português, com profundidade suficiente para uma canção pop, se encaixa sobre ela. Mesmo o coral de vozes agudas, ao fundo, está na versão original. E ele é típico de músicas dessa época do ano, então, apesar do sentimentalismo transbordante, é perdoável. Duro de ouvir é a interpretação de Simone, que beira o romantismo desbragado -- impressão que os anos e anos de repetição da faixa só fazem agravar. Mas bizarro mesmo é a cantora mencionar livremente as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, alvos da bomba atômica, ao fim de uma versão que nada mais tem a ver com guerra, um dos motes de seu criador, John Lennon, que ao lado de Yoko protestava contra o conflito armado no Vietnã. Hiroshima e Nagasaki são jogadas na música como frutas secas em uma farofa de Natal. FONTE: VEJA.COM

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Anitta vira ídolo pop em 2013, mas terá "prova dos nove" ano que vem.

O Brasil viu surgir neste ano uma forte aspirante a ídolo pop. A carioca Larissa de Macedo Machado apareceu com o que manda o figurino próprio do gênero: hit chiclete, dança sensual, estilo sexy-sem-ser-vulgar, voz afinada, aparente simpatia e um nome artístico, Anitta --em "homenagem" à protagonista da série "Presença de Anita" (2001), espécie de Lolita brasileira, interpretada por Mel Lisboa. A beleza e as roupas curtas deixaram muitos homens "ba-ban-do" e muitas mulheres --a quem Anitta chama de "manas"-- inspiradas, sobretudo pelas canções picantes e motivacionais, no estilo girl power. A receita provou ser um sucesso. Anitta foi, de longe, a cantora que mais deu o ar de sua graça em programas de televisão em todo 2013. Segundo o colunista do UOL Maurício Stycer, foram 41 participações em programas diversos, da Globo à Rede TV!, de ponta em novela ("Amor à Vida") a pitacos esportivos em programa da madrugada ("Corujão do Esporte"). E o ano ainda não acabou. Ela vai cantar nos programas musicais da Globo, emissora que escancarou as portas para o apelo juvenil da cantora. Além do "Show da Virada", Anitta já gravou um dueto com Roberto Carlos (como em um diálogo cantado, ela defende a onipresente "Show das Poderosas" e ele responde com "Se Você Pensa"). Até o "rei", ao que parece, se derreteu pela cantora de 20 anos. Sem contar comerciais (para uma marca de camisinhas), o pseudo-romance com Eduardo Sterblicht do "Pânico", as fotos da infância (que mostram uma garota normal, longe do verniz mercadológico que a acompanha hoje) e as participações em shows de Ivete Sangalo a Preta Gil. Conquistas Tanta exposição é apenas o reflexo dos 150 mil cópias vendidas de "Anitta", seu disco de estreia lançado em julho; o título de revelação do ano pela Associação Paulista de Críticos de Artes, a APCA; as 26 mil vezes que a música tocou nas rádios e a nomeação de artista do ano no Brasil escolhida pelo serviço da Apple. A lista é extensa. As conquistas são inerentes do talento de uma artista pop, mas para a conta fechar há muitas outras características a serem levadas em consideração. Há dois anos, Anitta balançava o quadril com mais propriedade no palco do Furacão 2000. Era uma MC e, junto com a história de que cantava no coral de uma igreja evangélica na infância, bradava seu amor pelo batidão e rimava sobre o cabelo (em "Proposta" ela mandava um recado para o peguete: "não toque no meu cabelo, você não é não escova"), namorava Mr. Thug --integrante do Bonde da Stronda-- e posava com facilidade para colunas de fofoca. Capitalizada pelo guru da Furacão, Rômulo Costa, a cantora até então tinha a fama de ser a criadora do "quadradinho". A grande mudança tem pouco mais de um ano e não foi apenas resultado de um amadurecimento artístico, mas também de um encontro entre a adolescente e a empresária Kamilla Fialho. Com olhar mais afiado, Kamilla deu uma repaginada em Anitta do jeito que o mercado --carente de música pop que hoje faz o dinheiro girar no segmento--, queria. Antes, houve tentativas com boy bands como Br'oz e Dominó, e com cantoras como Kelly Key. Hoje, as gravadoras se beneficiam das cantoras de axé, como Ivete Sangalo e Claudia Leitte, que carregam a aura de divas. Anitta aproveitou a cirurgia de desvio de septo no nariz e fez alguns procedimentos estéticos. "Perguntei se ela queria mudar mais alguma coisa. Ela disse que o nariz e o peito a incomodavam. Então, aproveitamos para que ela botasse silicone também", contou Kamilla em uma entrevista ao jornal "Extra". O pop que bebe do funk - O pancadão, mais uma vez, fornecia matéria-prima para a bravata no mundo pop. Bonde do Tigrão manteve a tradição da batida e ganhou, em 2001, um contrato com a multinacional Sony Music, mas acabou morrendo na praia. Já em 2013, meses antes de Anitta, Naldo veio com passinhos, letras sexuais e muita produção, mas ao longo do ano perdeu um pouco o fôlego com relatos de falta de tato com fãs e com a maneira com que lida com as próprias questões pessoais, tão expostas na mídia. Anitta trouxe do funk a sensualidade implícita nas letras e mensagens herdadas do funk melody, e o contato com adolescentes. Mas o batidão já não dita mais o ritmo e o quadril agora só mexe sob uma coreografia definida. Neste sentido, a Anitta é hoje mais Beyoncé do que Valeska Popozuda. A saída de Anitta da Furacão foi traumática. Ela disse, antes de lançar o primeiro disco, que estava irritada com a gerência de Rômulo. Quando conheceu Kamilla, mudou de escritório, mas deixou o antigo guru com uma carta na manga pela quebra de contrato: uma liminar na justiça para receber R$ 5 mil por cada show feito pela cantora. Isso quando as apresentações ainda não eram uma super produção, com dançarinos e cenários próprios, sob o custo de R$ 60 mil por show, segundo rumores não confirmados pela equipe de Anitta. Kamilla contou que pagou muito mais do que uma multa de R$ 260 mil pelos direitos de agenciá-la. Se você acha que já leu e ouviu demais sobre Anitta é bom se preparar porque 2014 reserva um espaço além da música. Ela estreia em janeiro o programa musical "Sai do Chão!", na Globo, ao lado de Naldo e Thiaguinho, e participa, pela primeira vez, das gravações de um filme, o "Copa de Elite". "Pedi um papel pequeno porque eu queria muito fazer. Gosto de atuar, fiz teatro por um ano, mas não continuei por falta de tempo. Gosto de trabalhar com tudo que aprendi", disse a cantora em entrevista ao jornal "Extra". O primeiro DVD virá em breve e será gravado no dia 15 de fevereiro no HSBC Arena, no Rio. Resta saber não apenas se a cantora vai angariar mais fãs ou sofrer com uma exposição exagerada na mídia, mas se esses novos trabalhos vão demonstrar o nascimento de uma artista de verdade ou ser apenas uma febre passageira. FONTE: UOL

sábado, 21 de dezembro de 2013

No Recife, Rei do Brega foi maior que Rei Roberto.

O Recife acordou de luto neste sábado, pois perdeu seu "rei". Para os pernambucanos, não adianta a TV Globo fazer um especial todo fim de ano chamando Roberto Carlos de rei. Roberto Carlos pode ter sua relevância histórica nacional, pode escapar do rótulo de brega (apesar de muitas vezes o ser) e pode ser protegido pela crítica carioca e paulista, mas em Pernambuco, o rei é outro. Seu nome é Reginaldo Rossi. E não apenas o "rei o brega", como Rossi é tradicionalmente chamado em referências nacionais, que diminuem sua importância. Simplesmente "o rei", um dos nomes mais marcantes da vida cultural de todos os pernambucanos. Não importa a faixa de renda, não importa o nível cultural, não importa nem mesmo o gosto musical - no Recife, Rossi era rei do povão, da elite, dos acadêmicos, dos analfabetos, dos fãs de brega, mas também dos mangueboys, dos roqueiros e dos metaleiros. Sua importância para a cultura local não tem medida. Nos últimos anos, é verdade que o próprio Rossi permitiu ser transformado em uma caricatura de si mesmo. Uma de suas últimas grandes aparições foi no quadro Dança dos Famosos, em 2009. Ali, e em muitas outras vezes em que o cantor ganhou espaço na mídia nacional, sua presença se resumia à de um coroa tarado e engraçado, com um sotaque estranho que misturava o "pernambuquês" com puxada carioca, que falava de cornos e cantava uma única música brega: "Garçom". Esqueça "Garçom" por alguns minutos. Reginaldo Rossi é muito maior de que "Garçom". Rossi era um músico excelente, versátil, e suas primeiras composições, na época da Jovem Guarda, são surpreendentes pela qualidade. Muito além de "Garçom" e do rótulo "brega", Rossi compôs belas canções românticas, criou refrães marcantes. "Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme", "A raposa e as uvas", "O pão", "As Quatro Estações", "Tão Sofrido", "Pedaço de Mau Caminho", todas canções que, só de pensar, colocam um sorriso alegre no rosto de quem as conhece. Para quem duvida, para quem não conhece, ou para quem tem preconceito, vale lembrar que suas canções viraram um belíssimo tributo em 1999, com regravações de algumas dessas canções por nomes "mais respeitados" da música nacional, como Lenine, Zé Ramalho, Otto e Geraldo Azevedo. Todos com pelo menos um pé no Recife, o suficiente para conhecer e respeitar a obra do rei. "Reiginaldo Rossi - Um tributo" permite conhecer as letras e as melodias fora dos arranjos simples, mais associados à música brega. Ao contrário do que pode parecer para quem vê de fora, não existe ironia quando Reginaldo Rossi é chamado de rei no Recife. Ele realmente fez parte da formação de todos os pernambucanos, e foi muito mais do que um cancioneiro popular. Em um país do tamanho do Brasil, a importância regional dele era muito maior do que a de qualquer de qualquer nome da MPB, da bossa nova, samba ou qualquer outro estilo que se pretenda nacional. A relação dele com o Recife dos anos 1960 em diante poderia ser comparada com a relação da bossa nova com o Rio de Janeiro - tanto que ele cantou a capital pernambucana em "Recife, minha cidade". O "problema" é que sua popularidade e sua influência se concentraram em uma única região mais "periférica" do país, e ele passou a ser visto de fora apenas como "brega". O rei era um psicólogo que ajudou gerações de pernambucanos a lidar com paixões e frustrações amorosas. Ele era um showman, que subia em qualquer palco da cidade e sabia conquistar o público com monólogos geniais. Mas o mais importante é que ele sabia da importância do entretenimento, e por isso não se levava excessivamente a sério. A autoironia dele ao abraçar o rótulo de "rei do brega", ao abraçar as brincadeiras de corno, ao repetir milhares de vezes "Garçom" fazem parte deste trabalho, e isso ajudou a popularizar seu nome. Mas a verdade é que mesmo que houvesse ironia, suas músicas realmente passaram a fazer parte da vida do Recife. Parafraseando o rei, lembro com muita saudade das primeiras idas ao Boteco do Mauro, as primeiras cervejas em um pequeno pé-sujo de calçada no Recife, no final dos anos 1990. Toda semana, depois de horas de acirrados debates musicais em que cada membro da "galera do mauro" defendia sua banda de rock preferida (Metallica x U2 era um duelo frequente), a noite acabava com todos cantando juntos alguma canção de Reginaldo Rossi. Depois de algumas cervejas, todo mundo se torna um pouco brega, e o hábito de "tomar uma ouvindo o rei" era comum por toda a cidade - podia haver um tom de brincadeira, mas aquilo fazia parte da vida no Recife, e marcou a todos os pernambucanos. O Recife perdeu seu rei, mas fica a lembrança de todos os shows, todas as canções, todas as brincadeiras que marcaram a cultura local. O rei merece todas as homenagens. Parafraseando mais uma vez, agora com o lugar-comum da sua música mais famosa: pra matar a tristeza, só mesa de bar. FONTE: UOL